enviroment-map

Sua empresa precisa de um modelo de inovação. Conheça o Value Proposition Canvas

Recentemente um dos meus diretores me provocou em uma conversa, como podemos disseminar a inovação em todas as áreas da nossa organização ? E nesse ponto estávamos falando de toda a melhoria em nossos processos, produtos e serviços, e não necessariamente inventar algo novo, pois há quem confunda que inovar é inventar algo novo ou totalmente disruptivo.

Inovação é a palavra do momento no mundo dos negócios, na verdade acho que sempre foi, afinal de contas, quem não quer melhorar o seu negocio ou criar um algo incrível, algo inovador ? Acredito que todos em qualquer época da nossa história.

O que acontece é que inovar não é mais apenas uma coisa legal ao qual as empresas escrevem em suas visões empresariais.  Inovar agora é uma questão de diferencial competitivo, ou mais, é uma questão de sobrevivência a longo prazo, ou até mesmo a médio prazo para alguns mercados.

Voltando a conversa com meu diretor, a primeira coisa que me ocorreu, pois gosto muito desse assunto era que eu precisava escolher um modelo  de inovação para seguir, pois um modelo/método me daria a condição de escalar para toda a organização.

 

Porque eu preciso de um modelo de inovação ?

Após ler muitos livros, ver videos e conversar com outros líderes sobre o assunto pude perceber que inovar requer um foco na solução de um problema, diversidade de pessoas, muitas perspectivas, criatividade e uma cultura voltada para o “inovar” com uma linguagem compartilhada entre todos da organização.  Ao envolver todos esses aspectos que podem ser complexos de se gerenciar, é fundamental na minha opinião ter uma estratégia, um modelo/método.

 

Um bom modelo de inovação ajuda a criar uma linguagem compartilhada na organização e definir uma estratégia gerenciável ao longo do tempo

 

O livro Business Model Generation de Alex Osterwalder diz que a inovação pode partir de vários pontos de um negócio. Pode vir da oferta, do canal de atendimento, da forma que o negócio gera receita e etc.

No decorrer desse post vou descrever como sistematizar a inovação em uma organização estabelecida ou nova através do Value Proposition Canvas, que é um complemento ao Business Model Canvas, muito conhecido em todo o mundo dos negócios. Estes combinados tem o objetivo de criar propostas de valor e modelos de negócios inovadores. Vou relatar o uso dessas ferramentas sob a minha experiência e entendimento, sendo assim, aceito sugestões e casos de uso de outras investidas similares.

Então, vamos conhecer o método!

 

Value Proposition Design

       O Value Proposition Design é um processo para a criação de propostas de valor inovadoras e também um livro que tem o mesmo nome, de Alex Osterwalder.

 

“O Value Proposition Design ajuda a criar propostas de valor inovadoras”

 

Apresenta uma série de ferramentas para sistematizar a inovação, seja em novas iniciativas ou em organizações estabelecidas. O tema central do livro é a ferramenta do Value Proposition Canvas. O processo é definido em quatro partes: Canvas, Design , Teste e Desenvolver.

        O que mais me chamou atenção nesse modelo é que ele faz uso de diversos outras ferramentas/métodos já bem difundidas, tentando extrair o melhor de cada uma. Entre as ferramentas/métodos utilizados estão o Design Thinking, Lean Startup, Customer Development e o Business Model Canvas (que também é de sua autoria).

 

O Canvas

Então vamos começar pela ferramenta, o Value Proposition Canvas. É formado por dois lados, o Perfil do Cliente e o Mapa do valor, uma vez que os dois sejam mapeados é feito o encaixe entre eles. que é quando um atende ao outro. E então temos um perfil de cliente recebendo a proposta de valor ideal, pelo menos essa é a intenção.

value-proposition-canvas

Value Proposition Canvas, apresentado no livro Value Proposition Design

O objetivo dessa ferramenta é basicamente nos fazer observar e se colocar no lugar do cliente, e reunir o conjunto de características que nós pressupomos que o mesmo tem. E também reunir o conjunto de benefícios que a proposta de valor que você cria ou vai criar para atrair clientes.

 

“Uma proposta de valor descreve os benefícios que os clientes podem esperar de determinados produtos e serviços”

 

Perfil do cliente

perfil-do-cliente

O perfil do cliente é formado por três partes: tarefas, dores e ganhos.  E cada uma dessas partes possui um grau de priorização.

 

Tarefas do cliente

tarefas-do-cliente

As tarefas do cliente descrevem algo que ele deseja fazer, realizar ou satisfazer. Uma tarefa do cliente poderia ser, puxando para o mercado que eu trabalho, “alugar uma casa”. Para nos ajudar a definir as tarefas do cliente, a ferramenta divide as mesmas em três tipos principais: funcionais, sociais e pessoais/emocionais.

As tarefas funcionais definem algo específico que o cliente quer realizar, ou solucionar um problema. A tarefa “alugar uma casa”  é uma tarefa funcional.

As tarefas sociais definem um status desejado, uma percepção por parte de quem os rodeia. No exemplo da casa para alugar, uma tarefa social poderia ser parecer uma pessoa bem sucedida.

As tarefas pessoais/emocionais estão relacionadas com um estado emocional que se espera ser alcançado. Por exemplo, estar tranquilo em relação a moradia de sua família.

Um perfil do cliente do cliente bem traçado tem tarefas funcionais,sociais e pessoais/emocionais. É importante perceber que nem todas as tarefas tem a mesma importância para o cliente e definir quais tarefas são “mais importantes” e “menos importantes”.

 

Dores do cliente

dores-do-cliente

As dores do cliente descrevem os obstáculos, problemas, riscos ou inconvenientes que o cliente passou antes ou depois de realizar as tarefas. No exemplo da casa para alugar, a dor poderia ser encontrar a casa ideal ou encontrar uma casa com um valor que caiba no seu orçamento.

As dores são de três tipos para ajudar a sua definição. Elas podem ser: resultados, problemas e características indesejadas;obstáculos;riscos. Não vou detalhá-las pois acredito que o enunciado já dê uma base para se trabalhar.

As dores não tem a mesma importância, e tem que ficar claro quando as definimos, quais são os graus de gravidade das dores, entre “mais agudas” e  “moderadas”.

 

Ganhos do cliente

ganhos-do-cliente

Os ganhos do cliente descrevem o que o cliente ganha quando realiza uma tarefa. Eles podem ser divididos em necessários, esperados, desejados ou inesperados.

Os ganhos necessários são os fundamentais que uma solução oferece. No exemplo de alugar uma casa,o ganho necessário é poder morar na casa.

Os ganhos esperados também são básicos, mas podemos dizer que mesmo sem eles a tarefa ainda é cumprida. Por exemplo, ter uma bela vista na frente de casa.

Os ganhos desejados são aqueles que vão além do esperado, mas que gostaríamos de ter se fosse possível. Por exemplo, estar isento de um seguro fiança no aluguel da casa.

Por último os ganhos inesperados, como o nome já sugere são aqueles que superam as expectativas do cliente. Vamos dizer que seria no nosso exemplo ganhar um cômodo da casa mobiliado.

Os ganhos são priorizados entre “fundamentais” e “bom de ter”.

 

Mapa do valor

mapa-do-valor

O mapa do valor descreve como você cria valor para o seu cliente. É divido em três partes: produtos e serviços; analgésicos e ganhos criados.

 

Produtos e serviços

produtos-servicos

É uma lista de itens que você tem a oferecer. Como você ajuda os clientes a executarem suas tarefas funcionais, sociais e emocionais. Os produtos e serviços podem ser bens produzidos, ou seja, produtos tangíveis. Podem ser intangíveis, digitais ou financeiros. No nosso exemplo do cliente que quer alugar uma casa, nossos produtos e serviços poderiam ser “uma carteira ampla de imóveis” ou “equipe de corretores especializados”.

Os produtos e serviços não tem a mesma relevância, eles podem ser “fundamentais” ou “bom de ter”.

 

Analgésicos

mapa-do-valor-analgesicos

Os analgésicos descrevem como você elimina ou diminui as dores do cliente. De que forma você soluciona as dificuldades ou obstáculos antes ou depois das tarefas. Elas representam o “como” sua proposta de valor atua. No nosso exemplo da casa para alugar, poderia ser “economiza tempo e dinheiro na descoberta de um imóvel”.

Os analgésicos também são classificados entre “mais relevantes” e “bom de ter” . Quando bem mapeados, os analgésicos mais relevantes aliviam as dores mais agudas.

 

Criadores de ganho

mapa-do-valor-ganhos-criados

Os criadores de ganho descrevem explicitamente como seus produtos e serviços geram os ganhos esperados ou inesperados para o cliente. Pode ser que a teoria dos ganhos criados e os analgésicos pareçam a mesma aqui. Mas os analgésicos referem-se as dores do cliente e os ganhos criados referem-se as ganhos do cliente. É mais uma forma de expor visualmente como seus produtos e serviços estão alinhados e criando valor para o perfil do cliente.

 

Encaixe

fit-value-proposition-canvas

Depois que você entendeu seu cliente e sua proposta de valor, vem o encaixe entre elas. O encaixe acontece quando seus produtos e serviços contemplam as tarefas mais importantes, curam as dores mais agudas e geram os ganhos necessários para os clientes.

Você nunca vai contemplar todas as tarefas, dores e ganhos dos clientes, por isso reforço a questão de priorizá-las e saber que está focando nas mais importantes.

No Value Proposition Canvas há três tipos de encaixe que sua proposta de valor pode ter: encaixe na solução do problema; encaixe no produto-mercado; encaixe no modelo de negócios.

O encaixe na solução do problema acontece quando você identifica as tarefas, dores e ganhos do cliente e produz uma proposta de valor que contemple essas tarefas dores e ganhos.

O encaixe no produto-mercado ocorre quando você testa e evidencia de fato que a sua proposta de valor está contemplando as tarefas, dores e ganhos do cliente e crescendo no mercado.

O encaixe no modelo de negócios acontece quando você tem evidências que sua proposta de valor encaixa em modelo de negócios escalável e lucrativo.

 

O que você aprendeu até aqui ?

Você conheceu uma ferramenta de linguagem visual utilizada para criar produtos e serviços inovadores. Ferramenta essa que se baseia na observação do seu cliente para compreender e resolver seus problemas, e com base nisso criar  uma proposta de valor alinhada com o que ele quer ou necessita.

 

Design

Agora que você já conhece uma ferramenta para construir propostas de valor, onde você começa ? Essa pergunta é respondida pela fase de Design. É nela que você define seus pontos de partida ( vou explicar a seguir ), formula suas ideias e da forma à elas em protótipos da sua proposta de valor.

A fase de design é um ciclo contínuo de observação dos clientes,formulação de ideias e construção de protótipos.

 

Os pontos de partida

Quando se está projetando propostas de valor, pode-se começar pela perspectiva do cliente,  produto ou do modelo de negócios. No livro do Value Proposition Design o autor usa o conceito impulsionar ou puxar, para descrever a forma como podemos iniciar a construção de uma proposta de valor.

Se estamos projetando nossa proposta de valor começando pela tecnologia ou inovação estamos impulsionando. Um exemplo seria uma invenção tecnológica onde podemos identificar que essa tecnologia pode ser a solução para um problema. Sendo ainda mais direto, podemos dizer que este caso é um problema em busca de uma solução.

impulso-tecnologia-em-inovacao

Começando pela perspectiva do cliente, ou seja, conhecendo-o para mapear suas tarefas, dores e ganhos, estamos puxando, ou seja, identificamos um problema não resolvido em busca de uma solução.

puxando-pelo-mercado-inovacao

 

Escolhendo começar pelo cliente

Gostaria de focar nesse post quando projetamos nossa proposta de valor começando pelo cliente, ou seja, contemplando as suas tarefas, dores e ganhos mais importantes.

É fundamental para a criação de boas propostas de valor o entendimento e compreensão do cliente em seu contexto como um todo. O Value Proposition Design se apoia no Design Thinking para isso, o que nos remete a ter uma atitude de designer, ou como o próprio Tim Brow expressa no livro Design Thinking, ter o foco centrado no ser humano.

É isso que vamos ver agora, como entender o cliente para identificar suas tarefas,dores e ganhos mais importantes e então criar ótimas propostas de valores.

 

A atitude de designer

O designer em seu trabalho é constantemente desafiado a pensar no novo, no que não existe. É forçado a entender os limites do pensamento e apresentar novas opções. Para isso eles se utilizam de inúmeras ferramentas e técnicas que, com o devido uso podem trazer ganhos inimagináveis ao mundo dos negócios.

Vou descrever a seguir seis técnicas que você pode usar para identificar tarefas, dores e ganhos do seu cliente e assim construir um excelente proposta de valor. No livro Value Proposition Design elas estão bem detalhadas, aqui só vou passar uma ideia geral.

 

“As pessoas  de negócio não precisam só pensar como designers; elas precisam se tornar designers.”

Roger Martins, Reitor, Rotman School of Management

 

O detetive de dados

Procure reunir toda a informação que você conseguir quantificar sobre o seu cliente. Podem ser pesquisas, dados online, cadastros e etc. Não se limite a ficar apenas no seu contexto, tente identificar o que ele consome, de quais empresas ou possíveis concorrentes.

Com a internet atualmente, podemos fazer pesquisas muito amplas. Algumas ferramentas que indico para isso são: Google Trends, Google Adwords. moz.com e semrush.com.

 

O jornalista

Converse com os clientes, vá ao encontro deles, procure entender na visão deles o que realmente desejam ou sentem. Mas tem um detalhe, nós nem sempre fazemos aquilo dizemos ou dizemos aquilo que fazemos, então use com atenção as ideias coletadas.

 

O antropólogo

Observe seus clientes, veja as atitudes e comportamentos deles em seu ambiente natural e lembre de tentar identificar as diferentes reações em diferentes contextos também.

 

O personificador

Seja o seu cliente, use você os produtos e serviços que pensa em desenvolver ou similares, tente se colocar ao máximo no lugar do cliente. Isso com certeza vai lhe dar uma perspectiva diferente e pode ajudar a identificar dores mais importantes do seu cliente.

 

O cocriador

Tente trazer o potencial cliente para o processo de criação da sua proposta de valor, procure aprender com as ideias deles também.

 

O cientista

Monte experimentos e traga os clientes para participar abertamente ou anonimamente. Monitore e aprenda com o resultado.

Se você vai começar a construir sua proposta de valor, começar pelo perfil do cliente é o meu conselho, e para isso você pode combinar ou usar isoladamente as técnicas acima para identificar as tarefas, dores e ganhos mais importantes do seu cliente.

 

Encontrando o modelo de negócio ideal

businnes-canvas-e-proporistion-canvas

Um modelo de negócio define a forma como você captura, entrega e gera valor para uma organização.

No meu post anterior eu descrevi como você pode definir um modelo de negócio usando o Business Model Canvas, sugiro que você o leia também para definir em qual modelo de negócio sua proposta de valor se encaixa.

Definir um bom modelo de negócio é fundamental para a sobrevivência da sua organização, afinal de contas um negócio que soma mais custos que receitas com certeza vai morrer.

No livro do Value Proposition Design tem uma citação que acho fantástica:

 

“Para criar valor seu negócio, é preciso que você crie valor para seu cliente. Para criar valor sustentável para seu cliente é necessário que você crie valor para seu negócio.”

 

O Value Proposition Canvas é uma extensão do Business Model Canvas, ele é um olhar mais aproximado do segmento de clientes que corresponde ao Perfil do Cliente e a Proposta de Valor. Sendo assim reforço a leitura do meu post para a definição do modelo de negócios.

 

Prototipação

A prototipação é a atividade de construir modelos de estudo, rápidos e simples com o objetivo de explorar alternativas da sua ideia e dar forma a sua proposta de valor.

Quando se está desenvolvendo uma proposta de valor o grau de incerteza é muito grande, afinal de contas, uma ideia não é algo tangível, e é nesse ponto que a prototipação ajuda.

Os protótipos podem ser de baixa fidelidade, quando possui um detalhamento e visual básico da sua proposta de valor, dando apenas um entendimento geral. Podem ser também de média fidelidade, apresentando um aspecto visual mais perto do definitivo e com interação com o cliente se a mesma tiver meios para isso. Temos ainda os protótipos de alta fidelidade, que possibilita o uso ou iteração como se fosse o produto final.

Um protótipo pode ser um desenho da sua proposta de valor, pode ser uma maquete, um conjunto de adesivos em um mural ou o um modelo básico do próprio produto ou mesmo uma página web ou video explicando o mesmo. O ponto que quero demonstrar aqui é que é importante você construir um protótipo da sua proposta de valor para validar a mesma, e recomendo que tente fazer essa validação tendo o minimo de esforço e tempo possível. É o que chamamos hoje e que todos falam muito no empreendedorismo de construir um MVP (Minimum Viable Product ou Produto Mínimo Viável em português), mas vamos explorar isso mais a frente.

 

A fase de Design em organizações estabelecidas

Se você não está criando um negócio ou uma proposta de valor do zero e está inserido em uma empresa já estabelecida e com um modelo de negócios validado ( e este é o meu caso ) a fase de design pode ser um pouco diferente.

As empresas estabelecidas tem duas direções para seguir, elas podem melhorar suas propostas de valores ou criar novas, e isso não deve comprometer o modelo de negócio existente.

A principal arma das empresas estabelecidas para a inovação é a diversidade que nelas já existem, mas o que vejo é que as empresas se afundam em processos rígidos para manter a operação e isso não deixa margens para uma visão mais ampla sobre novas opções para explorar.

Um bom meio de provocar a inovação é através de Workshops. Procure reunir pessoas de diferentes competências e diferentes áreas de sua empresa e apresente o Value Proposition Canvas.

Um opção para trabalhar é dividir as pessoas em grupos menores e pedir para elas identificar dada a sua experiência e conhecimento do cliente, as tarefas, dores e ganhos. Depois reúna todos e priorize. Use quadros, papéis adesivos e flipcharts como facilitador, isso vai gerar uma maior participação.

 

O que você aprendeu até aqui ?

A inovação pode partir de vários pontos do seu modelo de negócio. Defina o seu ponto de partida, se vai impulsionar ou puxar a inovação. No caso de puxar tenha um atitude de designer se colocando no lugar do cliente para identificar suas tarefas, dores e ganhos mais importantes através de diversas técnicas e combinando todas elas para ter o melhor entendimento possível.

Por fim, monte sua proposta de valor e tente encontrar um modelo de negócio sustentável e escalável, construindo protótipos para validar suas ideias.

 

Teste, teste e teste

Até aqui você já conheceu o Value Proposition Canvas, e aprendeu técnicas para identificar tarefas, dores e ganhos de um potencial cliente e construir com base nisso uma proposta de valor e também encaixá-lo em um modelo de negócio. Mas ainda assim, tudo o que você tem são ideias, hipóteses, suposições ou como você queira chamar.  Como você sabe que a sua proposta de valor realmente vai atrair a atenção do seu cliente e vender através de seu modelo de negócio. Para reduzir essa incerteza e os riscos é que existe a fase de teste, onde você testa e valida o seu cliente, sua proposta de valor e seu modelo de negócio de forma contínua.

 

“Os testes são uma maneira de reduzir as incertezas e os riscos em relação a sua proposta de valor e seu modelo de negócio.”

 

Fazendo experimentos

Fazer experimentos de suas hipóteses, propostas de valor e modelos de negócio é a melhor forma de evidenciar o que funciona e o que não funciona das suas ideias formuladas. O objetivo do teste é esse, aprender de forma rápida e baixo custo o que funciona e o que não funciona, para então investir em um modelo validado de sua proposta de valor e modelo de negócio.

Procure fazer experimentos rápidos e baratos, mensure-os, aprenda com os resultados e monte experimentos mais refinados. Quanto mais rápido você conseguir montar experimentos e aprender com eles, mais vai progredir sua proposta de valor e modelo de negócios.

Esse processo de construir experimentos, mensurá-los e aprender com os mesmos é um ciclo contínuo que foi apresentado por Eric Ries no livro Lean Startup. A seguir vou dar exemplos de como testar cada parte da sua proposta de valor, perfil do cliente e do modelo de negócio.

 

O que testar ?

O que testar na prática é uma pergunta meio confusa, a verdade é que você pode testar qualquer parte da sua proposta de valor ou modelo de negócio. Pode ser o circulo do cliente,  o quadrado da sua proposta de valor ou mesmo qualquer parte do seu modelo de negócio. É importante que você tenha evidências de tudo o que você definiu, e para evidenciar isso é que os testes existem.

Eu aconselho que, se alguma parte da sua proposta de valor ou modelo de negócio foi definida toda sem uma evidencia prática ou prototipada em qualquer nível, você só tem hipóteses, construa um teste e aprenda com ele.

 

O processo de teste

Uma vez que você compreendeu seu cliente, definiu o Value Proposition Canvas e o Canvas do seu modelo de negócio, você tem que extrair suas hipóteses  para validá-las, ou seja, se concentre em responder a seguinte pergunta: O que precisa ser verdadeiro para a sua ideia funcionar ?

Com base nisso você extrai suas hipóteses e as prioriza em grau de importância. Depois monte testes para validá-las usando o cartão de teste, então priorize seus testes, coloque-os para rodar e capture os resultados dos testes para aprender com o cartão do aprendizado e validar, invalidar ou testar novamente a hipótese.

test-card-learning-card-innovation

 

O cartão do teste e o cartão do aprendizado são ótimas ferramentas para sistematizar um ciclo continuo de teste, validação de ideias e aprendizado. Eles são usados no Value Proposition Design para facilitar o entendimento de um ciclo que se baseia em construir, medir e aprender. Você pode baixar eles no site da strategizer

Coloco abaixo uma imagem do ciclo completo de teste:

process-test-value-proposition-design

clique para ampliar!

 

Medindo o progresso

Medir o que você está fazendo é fundamental e quanto mais rápido você consegue produzir, aplicar testes e aprender com eles, mais rápido você vai ter um proposta de valor de sucesso.

O Value proposition Design apresenta para esse papel o Progress Board (Quadro do progresso). Nele você insere seus testes como em um quadro Kanban com os testes priorizados e as fases de testes à testar, em execução e testados. Com base nos resultados dos testes e o cartão do aprendizado, classifique-os em validado, invalidado ou com dados insuficientes, neste último coloque os dados para rodar novamente.

Vou colocar abaixo uma imagem do quadro do progresso e onde ele pode ser baixado direto no site da Strategyzer.

progress-board-value-proposition-design

O que você aprendeu até aqui ?

Não existem fatos dentro de casa, apenas hipóteses. Construa experimentos rápidos e de baixo custo da sua proposta de valor, para testar com potenciais clientes, mensurá-los e aprender com eles o mais rápido que puder. Depois de capturar o aprendizado construa experimentos mais sofisticados e repita o processo novamente de forma contínua, quanto mais rápido construir experimentos e aprender com eles, mais perto estará de uma proposta de valor de sucesso.

 

Desenvolva continuamente

Todas as ferramentas e técnicas que você viu até aqui são para criar uma linguagem compartilhada em todos as áreas da sua organização ou da organização que você pretender ter. Procure vender a todos que contribuem para o seu negócio o conceito de tarefas, dores e ganhos do cliente e quais você estão priorizando no momento.

Se você faz parte de uma organização estabelecida em busca de um modelo de inovação, procure vender primeiro para a liderança da organização, quanto mais alto o nível que você conseguir vender essa ideia, mais chances de sucesso terá.  

Aplique o conceito de construir, medir e aprender de forma contínua depois que seu modelo de negócio estiver funcionando de fato. Procure sempre se questionar que elementos do seu negócio estão mudando no mercado, use o mapa do valor para isso.

Avalie seu modelo de negócio e identifique se ele é escalável, ou se pode adicionar ou remover atividades, canais, atividades, parceiros, etc. Há um modelo de negócio que pode complementar ele ? ou o seu atual modelo de negócio está expirando ? Quanto antes identificar essas questões mais chance terá de ter uma empresa que consegue progredir e se reinventar.

Agilidade é a palavra do momento nas organizações, todas querem ser ágeis, para inovar, gerar valor para o cliente e gerar lucro. Já não é mais o maior que engole o menor, mas sim o mais rápido que engole o mais lento.

 

Conclusão

Minha pretensão nesse post foi explicar um modelo de inovação ao qual me identifiquei bastante para construir novas propostas de valor ou melhorar as existentes. No momento ainda não tenho poucos dados para compartilhar dado o pouco tempo que estou aplicando, mas espero no futuro ter mais casos de uso que podem ser de referência para outras organizações.

O ponto crucial é que se você deseja ter uma organização inovadora, isso deve estar propagado por toda a cultura organizacional. Essa é uma missão que só pode ser alcançada envolvendo todos os líderes da organização em uma linguagem compartilhada, para que eles então ajudem na criação de um ambiente que facilite a inovação e a criatividade.

No site da Strategyzer que são os criadores do método, há um blog muito rico de informações e cases, um que me chamou a atenção foi um webinar da Mastercard, que explica como ela usou esse método para criar uma linguagem por todos os colaboradores dela.

 

E você utiliza algum modelo de inovação na sua empresa ?